Tempos contemporâneos

•01/04/2010 • 1 Comentário

Venho aqui, por meio do primeiro post, convidar a todos para uma reflexão acerca da época que está por vir.

Estamos no limiar de um novo milênio, que iniciou numa década marcante para a história da humanidade com a grande velocidade da evolução tecnológica e sociológica de nossa espécie. Nossa evolução intelectual acelera num ritmo crescente, exponencial, e nossos valores são obrigados a acompanharem-na.

Atualmente estão sendo desenvolvidas as bases que levarão a grandes mudanças no nosso modo de vida. Muitas coisas serão possíveis em décadas futuras, quem dirá séculos futuros. Em um futuro não muito distante, por exemplo, poderá estar sendo emitido um certificado de nascimento de um cartório extraterreno; Uma pessoa poderá talvez se submeter a uma viagem rotineira enquanto cessa toda a expectativa de vida de uma outra; Quem sabe poderemos prolongar a expectativa de vida indefinidamente; Poderemos talvez habitar áreas do universo que em nada lembrem um planeta, sem solo, atmosfera ou oceano; Se é que não as encontremos antes, poderemos estar desenhando formas de vida tão inteligentes quanto nós, mas pertencentes a espécies diferentes, assim como qualquer outro tipo de forma de vida conhecido afim de regular ecossistemas criados por nós mesmos; Poderemos talvez nos diferenciar de espécie enquanto prosseguindo com o nosso ciclo de vida já em andamento; Enfim, são infinitas as possibilidades que a imaginação pode conceber, mas que pertencem a um futuro palpável e cientificamente embasado.

Teremos de definir quais serão os limites de nossas ações. No presente, temos de redefinir nossos valores. Temos de julgar como cabe o direito à cada forma de vida no universo, uma vez que os laços interespecíficos venham a se perder com a transgenia. Como iremos tratar os seres não humanos? Qual será a definição de espécie no futuro? Devemos manter a forma que temos hoje ou devemos manipular o processo de evolução afim de nos tornarmos seres mais adaptados às nossas funções, os nossos novos nichos que surgirão com o tempo?

A bioengenharia trará questões que há pouco tempo não chegaríamos a imaginar nos parlamentos, nas câmaras legislativas, nas cortes jurídicas, nas nossas decisões pessoais, nos nossos livros de ensinamento espiritual. Do modo com que iremos respondê-las dependerá o formato do mundo que construiremos. É improvável que alguém possa dizer como vai ser a realidade nas mais diferentes épocas futuras, mas depende de nós hoje se essas realidades farão ou não sentido. Repensemos a nossa própria existência nos mais diferentes níveis para que, uma vez que tenhamos tirado nossas próprias conclusões com segurança e fundamento, possamos dar passos firmes em direção a um futuro mais igual, racional e, sobretudo, feliz para todos. Desde que, assim espero, seja essa a intenção do leitor.